Eu era amada e ouvia o contínuo murmúreo das ondas.
No dia do maior adeus, pensei em mel, em pérolas, em facas, em deuses, em Ícaro com suas asas, em vertigem, em céu, em pássaros.
No dia da despedida, como peixe com pirão.
No dia do maior adeus, continuei lembrando que iria pela vida afora, todos os dias, dias e dias, a adorar o amor, mesmo que sua passagem provoque alegrias e desconhecimentos.
No dia da distância aumentada.
Da estrada da incomunicabilidade.
Do descaso.
Do descontinuado.
As nuvens seguiram, condensando lembranças pluviais.
Caminhei pela montanha, comprei jornal, reguei as samambaias.
Como todos os dias: abri e fechei janelas.
No dia desse adeus, pensei em entender, em me calar, em para sempre, pensei em não pensar.
Nesse dia vi estrelas radiantes e silenciosas.
No dia do maior adeus, permaneci com os olhos no cais, o sangue escorrendo, coagulando, e eu, até a medula, fadada a ser eu.
Por Natalia Barros
Revista Gloss
Revista Gloss
Nenhum comentário:
Postar um comentário