segunda-feira, 4 de junho de 2012

Voltando a pensar

No último domingo, publiquei no caderno ZH Donna uma crônica fantasiosa em que eu imaginava como seria bom parar de pensar por uns dias, para dar um descanso pro cérebro. Os leitores aprovaram a idéia, mas os dias passaram e é hora de voltar a pensar. Proponho dois assuntos para dar uma acordada nos nossos neurônios. Primeiro: soube que dois desempregados arrancaram, anteontem, 19 placas de sinalização da RS-331, que liga Viadutos a Gaurama, no norte do Estado. O objetivo? "Só para ver o que acontece", responderam eles. Vou dizer a eles o que acontece, dando o exemplo de um fato ocorrido na Flórida em 1997. Dois adolescentes e uma garota não tinham nada para fazer e resolveram arrancar algumas placas de PARE dos cruzamentos. No dia seguinte, três jovens transitavam por uma dessas avenidas desfalcadas de sinalização e, sem saber que estavam cruzando com uma preferencial, bateram num caminhão. Morreram. É isso que acontece. E aconteceu mais: os que arrancaram as placas foram condenados, cada um, a 15 anos de prisão, e o juiz ainda disse que eles deveriam agradecer, porque assassinos não costumam pegar menos de 30 anos. A verdade é que somos, todos, homicidas em potencial. Não é preciso sair pra rua com uma arma na mão para colocar a vida dos outros em risco. Pequenas sandices como danificar placas de trânsito ou fazer rachas em vias públicas também podem provocar tragédias.

Segundo assunto: o adesivo que mostra uma mão sem o dedo mínimo com a frase "Mais 4 não! Fora Lula", aludindo à deficiência do presidente, que teve um dedo decepado na época em que trabalhava como metalúrgico. A polêmica surgiu porque algumas pessoas consideraram o adesivo preconceituoso e ilícito. Olha, ilícito me parece que não é, mas que é de um tremendo mau gosto, nem se discute. Todos têm o direito de externar sua opinião, de fazer propaganda de seu partido ou contra o partido oponente, mas usar uma deficiência que nada tem a ver com o caráter ou o currículo do candidato é preconceito, sim. O fato de o Lula não ter um dos dedos da mão é absolutamente irrelevante para o destino do país. Usar isso como uma "sacada" de marketing é fazer piada tosca e grosseira, e creio que já basta de deselegâncias nesta vida. Depois reclamamos quando crianças discriminam na escola os colegas negros, gordos, mancos, gagos, sem dedo, sem braço, sem perna. Estão seguindo exemplos, apenas isso.

Parar de pensar é um convite à meditação, não à estupidez.


Por: Martha Medeiros 

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